quinta-feira, 12 de julho de 2012

Catolicismo está reduzindo... e agora?

     Tenho acompanhado as reportagens e comentários a respeito da diminuição percentual do Catolicismo no Brasil: caiu de 73,8% em 2000 para 64,6% nesse último Censo (2010). Ouvi muita gente cantando vitória ao ver que esta marca tende a diminuir cada vez mais, e a Igreja, cuja doutrina é "ultrapassada", já estava mais do que na hora de começar a sumir. Mas para a surpresa de muitos, esta diminuição está sendo  não desesperadora, mas desafiadora para a Igreja, diria até que está sendo boa, em um contexto de desgaste do catolicismo. 

     Na época do surgimento da Igreja, o que era anunciado às pessoas para que elas aderissem à nova fé era sem dúvida muito eficaz, uma vez que fazia milhões de pessoas abandonarem imediatamente o que tinham e seguirem o exigente e emocionante projeto de Cristo. "Eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações." At 2, 42.

Primeira comunidade cristã

     Séculos depois, nos países onde a religião católica já havia se tornado a "oficial", foi-se deixando de lado a necessidade de difundir aquele primeiro anúncio que impelia os corações, e a religião passou a ser uma espécie de obrigação social, como é no Brasil, fazendo surgir devocionismos variados que não formam propriamente discípulos missionários de Cristo, apesar de manter a fé do povo. Citando o então cardeal Ratzinger, hoje Papa: "Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, na qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez." (DAp, n.12). As consequências deste desgaste estão sendo vistas pela Igreja como uma provocação a um santo e criativo crescimento, como diz o Projeto Nacional de Evangelização: "O mesmo Espírito despertará em nós a criatividade para encontrar formas diversas para nos aproximarmos inclusive dos ambientes mais difíceis".

     Nesta esperança é que se faz necessário um processo de iniciação cristã, semelhante ao utilizado nos quatro primeiros séculos da Igreja, o Catecumenato. Ele objetivava o aprofundamento da fé, como adesão pessoal a Jesus Cristo e a tudo o que Ele revela, por meio da vivência em pequenas comunidades, e antecedia o batismo. A Igreja como um todo já está prestes a retomar um semelhante processo de iniciação cristã. O livro da CNBB "Iniciação Cristã - um processo de inspiração Catecumenal" explica como isso será. A minha experiência pessoal com este processo é no Caminho Neocatecumenal, que não é propriamente um grupo ou movimento, mas um Catecumenato pós-batismal: recebemos o primeiro anúncio, somos acompanhados por uma comunidade e pelos chamados catequistas durante a caminhada e somos convidados a mostrar sinais concretos da adesão a Cristo e à Santa Igreja Católica. E isto, há 40 anos, tem acordado muitos que viviam apenas um devocionismo religioso, e tem dado à Igreja muitos frutos, como 86 seminários, milhares de moças e rapazes na vida religiosa ou sacerdotal e mais de 900 famílias em missão para povoados do mundo inteiro onde a Igreja já ou ainda não existe. 

 












                        
                                                          Minha primeira comunidade neocatecumenal
      
     A diminuição dos índices do catolicismo, no entanto, não é causada apenas pelo abandono deste processo, mas também pela falta de interesse de muitos que se dizem católicos em conhecer as tantas maravilhas que ela tem a oferecer. Como o Padre Paulo Ricardo costuma dizer, 99,9% dos protestantes que eram católicos não eram bons católicos. Ou não eram assíduos nos sacramentos, ou não liam a Bíblia, não rezavam, ou acolhiam da doutrina apenas o que lhe convinha, não sabendo sequer responder a questões básicas como porque veneramos os santos. Sendo assim, é claro que iriam se sentir mais atraídos pelo protestantismo neopentecostal, que deixa a critério de cada um a livre interpretação da Bíblia, desprezando assim os quase dois mil anos de estudos das Sagradas Escrituras e os belíssimos testemunhos de vida dos santos mártires que deram sua vida por Cristo e pela Igreja. 

     Ainda mais com a atual efusão de informação, não há desculpas para dizer que não teve acesso aos meios oferecidos pela Igreja para ajudar no crescimento da fé, porque está tudo aí nas livrarias, na internet, no rádio. Ainda assim, não deixa de ser imprescindível a necessidade do processo de iniciação cristã. Há também aqueles que não têm acesso a informação, como nos interiores do Brasil onde o Catolicismo se resume a uma capela na qual quase nunca tem Missa, por não ter padre suficiente, e quando tem é mal celebrada. É lógico que este ambiente é fértil para a instalação do Protestantismo, que às vezes é até melhor para que as pessoas não fiquem sem contato com a Palavra. Nestes locais a missão é urgente.

 Jornada Mundial da Juventude 2011- adoração ao Santíssimo

     Para mim, a Igreja é muito atraente, para pessoas de qualquer idade, por tamanha beleza e riqueza espiritual; a prova disso são as Jornadas Mundiais da Juventude, a grande força dos carismas na Igreja e a contínua existência de pessoas entregando sua vida para não desobedecê-la. Não há hesitação em confiar nas Palavras do próprio Jesus ressuscitado: As portas do inferno não prevalecerão contra a minha igreja (Mt 16,18). Ao longo dos séculos, o Espírito Santo sempre agiu claramente na Igreja, endireitando seus caminhos sempre que nela se infiltrava alguma coisa errada. Ainda que menor, ela permanecerá com mais força, mas não duvido nada que ela ainda volte a crescer!

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