domingo, 1 de dezembro de 2013

Famílias numerosas e a Igreja

 
     Falar sobre o número de filhos entre os católicos é sempre algo bastante divergente, pois há muitos pontos de vista diferentes em nosso meio: os que olham pelo que a sociedade propõe e os que olham pelo que a Igreja propõe.

     Estou na Igreja com minha família desde pequena, e sempre escutei a respeito da posição da Igreja contrária aos métodos anticoncepcionais artificiais. Mas poucas vezes, ou nenhuma vez, me ensinaram algo sobre sua posição real com relação à quantidade de filhos, mas que era critério de cada um ver suas condições de criar. Assim como a maioria hoje em dia, cresci com a concepção de que a mulher deve ter até dois ou três filhos e depois fazer a laqueadura, já que no mundo hoje em dia está mais difícil criar filhos com todas as suas necessidades e os métodos naturais são 'falhos'.  

     Aos 17 anos, entrei no Neocatecumenato por curiosidade, ao ouvir o anúncio das catequeses na paróquia por uma catequista de uns quase quarenta anos dizendo que tinha dez filhos. Achei isso algo entre engraçado e absurdo! Com o tempo fui observando esta família e outras famílias numerosas do mesmo movimento, e descobri que não são poucos os casais católicos de toda a Igreja que atenderam ao chamado do Concílio Vaticano II, de não desprezar o dom da fertilidade, seguindo uma paternidade responsável, mesmo com o advento dos métodos contraceptivos. Há muitos documentos eclesiais e blogs que ajudam a compreender o sentido disso e a ver que não é tão impossível como parece hoje em dia.


     Hoje, sou eu quem busco o Matrimônio e por isso tenho procurado aprender e conhecer as orientações da Igreja e conhecer testemunhos, e só tenho me encantado. Aprendi que a Igreja orienta o Método da Ovulação Billings de 97% de eficiência (segundo a OMS), para espaçar os nascimentos quando o casal considerar uma justa causa. Aprendi então que devo ajudar aqueles que ainda não assimilaram a opinião da Igreja sobre a abertura à vida através de testemunhos, mostrando-lhes que é possível. Não é fácil nadar contra o que é tido como "padrão" de hoje em dia.  Na verdade a resposta ao chamado de Jesus na maioria das vezes implica ir fora do que é tido como padrão! 
   
    Confesso que fico triste quando ouço pessoas que amo insistirem que não dá certo ter mais de três filhos nos dias de hoje. Alegam que são muitos os gastos; e de fato são. Mas não acredito que devamos seguir a esta cultura do "bem-estar à qualquer custo", como Papa Francisco coloca:

     "'Não, eu não quero mais um filho, porque não poderemos viajar de férias, não poderemos ir a tal lugar, não poderemos comprar uma casa'. É o que costumam dizer aqueles que veem com pavor a ideia de ter uma família numerosa (...) Quer-se seguir Jesus, mas até certo ponto". (encontro com as famílias).

     Alguns casais limitam a dois o número de filhos alegando que um filho único tem dificuldade para viver em sociedade. No entanto, "dois não são ainda uma sociedade; eles são dois filhos únicos” (Papa João Paulo II. Amor e responsabilidade: estudo ético). Na verdade, ninguém garante que será dado ao casal muitos filhos, pois nem todos os casais tem alta fertilidade. O importante é entender o sentido de estar aberto à vida, saber ser responsável e estar disposto a passar a fé aos filhos que Deus confiar. 

     Abaixo, algumas das coisas que tem ajudado a entender essa questão. Saudações aos leitores do blog! Aceito sugestões ou comentários sobre algo que foi falado aqui.
Familias numerosas familias felizes
São Josemaria e as familias numerosas
Padre Paulo Ricardo

ALGUNS TESTEMUNHOS:
Blog Domestica Ecclesia
Blog Shower of Roses
Jornada Mundial da Família Milão
Família Neocatecumenal

sábado, 9 de novembro de 2013

Ser catequista: uma das aventuras educativas mais bonitas

     Desde que recebi a Crisma, nasceu em mim um desejo de ser catequista. Apesar de eu sempre ter sido uma pessoa um tanto introvertida, não queria que isso fosse um impedimento para evangelizar. Depois de quatro anos, com nossa mudança para São Luís, falaram-me da necessidade de catequistas na comunidade paroquial e me propus a entrar na equipe. Logo entrei como catequista na turma de pré-Eucaristia, junto à outra catequista. Fiquei por um ano e meio e foi uma experiência muito boa. 
    
     No começo eu preferia ser apenas a tia que toca violão e desenha, pois era insegura, mas depois fui melhorando, tomando à frente quando necessário, entregando a Nossa Senhora minha vontade de saber anunciar Cristo, ainda que não fosse por palavras.Pregai sempre o Evangelho e se for necessário também com as palavras", foi o que disse São Francisco de Assis e que muito me inspira. Afinal o que atrai é principalmente o testemunho, pois ser catequista não é somente um título, mas começa com uma mudança de atitudes, para procurar ser exemplo.

Um dos meus desenhos para a Pré-Eucaristia  :)

     O Papa Francisco proferiu inspiradoras palavras aos catequistas no Congresso Internacional de Catequistas este ano; disse que a catequese é uma vocação, e é "um dos pilares da educação da fé, que não é um trabalho como outro qualquer, mas que deve ajudar as crianças, jovens e adultos a conhecer e amar cada vez mais ao Senhor, ou seja, uma das aventuras educativas mais bonitas". (ZENIT set/13). Ele falou também do kerygma , que é um dom que o catequista recebe e um dom que ele dá.

     Quando entrei no caminho neocatecumenal, vi que se tinha muito forte este ministério de catequista, pois todos somos levados ao longo do tempo de caminhada a viver a Palavra não só a escutando, mas também a anunciando aos irmãos de comunidade, fazendo monição das leituras que serão proclamadas, dando catequeses sobre um determinado tema ou pregando o kerigma aos novos irmãos. É interessante ver o amadurecimento de todos ao longo da caminhada, inclusive o meu, pois alguns que no começo morriam de medo de ir lá para a frente, vão melhorando e entregando suas palavras ao Espírito Santo. Então isso também é uma das coisas que me fazem amar o Caminho. E é tão forte essa questão de ser catequista que tem uma etapa da caminhada em que se pode escolher ser catequista itinerante, enviado a qualquer lugar do mundo. Aqui nós temos uma família em missão, um celibatário e um padre, que estão conosco como catequistas itinerantes para nos orientar.

     Na verdade, todos nós temos que ter algo de catequista, porque precisamos também ser catequistas em casa e onde quer que vamos. A catequese na paróquia tem papel especial, principalmente onde o catolicismo tem se tornado apenas tradição de família; temos o papel de ajudar os catequizandos a ver sua religião de forma diferente. Hoje eu e Wayner, meu noivo, somos catequistas de uma pequena turma de Perseverança aqui na comunidade da nossa paróquia; é uma experiência nova para mim lidar com adolescentes, mas tem ajudado bastante em meu amadurecimento como catequista, e Wayner também tem me ajudado com seu conhecimento sobre Igreja. Em outra postagem contarei um pouco sobre esta experiência.

     Alguns já observaram que gosto de postar conteúdos catequéticos de vez em quando, pois vejo que há muita procura sobre isso e é algo que muito me interessa. Espero que estejam sendo úteis! Aceito também sujestões de ideias.  Deus nos ajude nesta função de catequistas!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Santos em desenhos - Santos contemporâneos

     Aproximando-se o Dia de Todos os Santos, disponho alguns desenhos que fiz de quatro santos dos nossos tempos, e pelos quais temos especial admiração e devoção:

Santa Gianna Bereta (1962).
     Médica, casou-se aos 30 anos, e deste matrimônio gerou seis frutos, dos quais quatro nasceram. Em sua última gravidez, os médicos acusaram que deveria abortar, senão ela morreria. Não hesitou em deixar viver seu filho.


Santa Chiara Luce (1990):
     Aos 17 anos, quando estava jogando tênis, sentiu uma forte dor, e descobriu ter uma doença terminal que a deixou vários meses internada. Os amigos ficavam impressionados quando a visitavam e a encontravam em estado de grande alegria, apesar de sentir muita dor. Não permitia o uso da morfina: "Por mais um tempo, quero dividir a cruz com Ele".



São Josemaría Escrivá (1975):
     São Josemaría foi um mestre na prática da oração, o que considerava uma extraordinária "arma" para redimir o mundo. Fundador da Opus Dei. Mostrava com seu humor a alegria de ser cristão. Costumava comparar-se a um burrinho: apesar da pouca inteligência, foi digno de carregar Jesus.



Santo Agostinho (430):
    Tem uma história muito forte de conversão, que foi alcançada através das orações de sua mãe (Santa Mônica). Tornou-se bispo da Igreja e é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente.



    Uma outra postagem do de alguns desenhos do dia de todos os santos do ano passado se encontra
neste link.Um abraço a todos!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Aula de Meia-lua (novo)

     Ano passado eu havia gravado uma vídeo-aula de meia-lua, e muitos gostaram da ideia e pediram para eu gravar um novo vídeo. Aí está:


     Espero que ajude, um abraço a todos!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Anjo da Guarda - Cecy Cony

      Relato de uma das experiências de Cecy Cony (1915) com seu Anjo da Guarda, da sua autobiografia "Devo Narrar Minha Vida".



     Rezar de joelhos
     Papai estava ainda na colônia Militar do Alto Uruguai. Ele morava só com uma cozinheira e outra criada para tratar da casa, e mais o bagageiro. Dissera em outra ocasião, que estranhava imensamente a ausência de papai, cuja lembrança nunca me deixara. Pensava muitas vezes, mas minha saudade por papai, que lá não tinha quem cuidasse bem dele, quando estivesse doente, e tantas outras apreensões senti.

     Era eu incapaz de adormecer, à noite, se não tivesse rezado o terço inteirinho, por papai, quanto tivesse feito algum sacrifício “grande”. E o meu último pedido ao meu Novo Amigo, antes de adormecer, era: Ide com papai e ficai vigiando por ele, juntamente com o seu Novo Amigo. Só então adormecia em paz.

     Certo dia, mais do que nos outros, tive saudades de papai. Os sacrificiozinhos se sucediam e mais de um terço foi rezado a Nossa Senhora. Tinha mais saudades de papai, era só o que sabia. À noite, pedi a meu Novo Amigo fosse ter com papai antes mesmo de eu adormecer. E depois que todos dormiam, já tarde, despertei com pensamento em papai. Estávamos no rigor do inverno. Pensei, já que não tinha sono, em rezar o terço por papai, porém, mesmo deitada; com o frio não me dispunha a levantar-me e ajoelhar. Comecei a 1ª dezena do santo terço, mas não cheguei a rezar 3 Ave-Marias. Como que um forte impulso obrigou a me levantar; devia rezar de joelhos. Fi-lo. De joelhos, ao pé da cama, rezei com a maior devoção que era capaz minha alma, numa firmíssima convicção de que papai necessitava de oração. Rezei, não só um terço do santo Rosário, mas ainda um “terço” de “Lembrai-vos que vos pertenço”, e um “terço” de “Santo Anjo”.

     Meu Novo Amigo até então não se manifestara. Não estranhei, todavia, pois o mandara ir ter com papai. Ao terminar o “terço” do “Santo Anjo”, recomecei um “terço” de “Glória ao Pai”, tão forte era a disposição que tinha de orar, apesar do frio intenso que sentia, da escuridão e do silêncio reinantes. No fim da dezena do “Glória ao Pai”, eis que sobre minha cabeça a santa mão, como a me acariciar, como a dizer: “Basta, papai está salvo” (isso sentia convictamente). Retornei à cama, e pouco depois, tornava a adormecer numa paz santa, bem santa.

     Passados vários dias, mamãe recebe uma grande carta de papai, e tiras do jornal onde relatava o caso. Por uma falta cometida contra a disciplina, papai prendera um soldado. Este, após ter terminado o tempo correcional, foi posto em liberdade.

     Duas ou três noites depois (justamente aquela noite em que eu despertara para rezar) papai desperta com o ruído de fortes estalidos na casa, e vê-se rodeado de enorme clarão. Percebendo que a casa estava em chamas, salta da cama e quis passar à peça contígua para salvar papeis de importância. Impossível! As chamas devoraram tudo assustadoramente. Tenta passar pela outra porta, o mesmo. Tudo rodeado pelas chamas. Papai foi ainda quem deu o sinal de alarme, e veio enfim o socorro. Feitas depois as investigações, foi desvendado o caso. O pobre soldado, num sentimento de vingança, ateara fogo à casa; confessara-o depois. 

     Narrei esse fato, porque tenho a firme convicção de que fora meu Novo Amigo quem salvara papai. Creio até que foi ele quem abrira a janela para papai salvar-se. Como era meu costume, sem mesmo sabe-lo explicar, não contei a ninguém o caso daquela noite dos santos terços. Sei apenas que meu Novo Amigo me deixara rezando, enquanto papai fora salvo.

     Meu Novo Amigo, seja o bom Deus glorificado na vossa santa fidelidade. Amém.

***

Santos Anjos da Guarda, iluminai-nos!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Experiência na JMJ - última parte

     Após passarmos pelos santuários na Bahia e em Minas Gerais, chegamos na tarde da sexta-feira no Rio de Janeiro e fomos acolhidos na paróquia São José, no bairro Santa Cruz, que ficava a umas duas horas de Copacabana. Chegando à paróquia, foi surpreendente tantos jovens também peregrinos, dançando e cantando conosco!

     Como eu falava na postagem anterior, boa parte da Jornada foi para vivermos um pouco o espírito de peregrinação, para aprender a ser obedientes e a silenciar, pois apareceram muitas oportunidade de murmuração. Quando chegamos ao Rio, alguns tiveram que almoçar às quatro horas da tarde, no chão, pois era muita gente. Estava na nossa programação participarmos da Via Sacra neste dia, mas nem deu tempo. Fomos acolhidos nas casas dos paroquianos e muitas delas tiveram que acolher mais do que o podiam. Fui acolhida junto com mais vinte mulheres na mesma casa. Apesar de tudo fomos bem acolhidos, e pudemos sentir bem a hospitalidade que o Senhor colocou naqueles que nos acolheram, na medida do que cada um podia nos oferecer.

A caminho para Copacabana

     No sábado saímos cedo para a vigília em Copacabana, e passamos o dia todo para chegar até lá, foi uma jornada e tanto! Passamos duas horas no metrô, cantando, tocando, fazendo barulho. Por todo lado que se olhava tinha peregrino. Depois mais uma tarde toda caminhando até Copacabana, o tempo todo rios de grupos de todas as nações caminhando para o evento. Paramos na metade do caminho para almoçar e pegar o kit de alimento.  O que mais foi difícil a partir daí foi carregar o tal kit, uma caixa de uns quatro quilos, mais o colchonete e outras coisas. Toda hora a caixa de alguém abria por baixo e todo o grupo de 107 pessoas tinha que parar, foi engraçado... Algumas senhoras levavam a caixa na cabeça. No fim das contas fomos chegar lá só umas 20hs e a praia já estava simplesmente lotada. Tivemos a graça de encontrar nossos pais (eu e minha irmã), que também tinham ido pela paróquia! 

     Na minha cabeça, durante a vigília iríamos ficar próximos do palco, em adoração ao santíssimo. Chegando lá vi que não foi nada disso, até me decepcionei um pouco. Não chegamos nem a tempo das Vésperas que o papa fez. Ficamos acho que a quase um quilômetro do palco, e mesmo assim lotado. Fomos avançando para trás para encontrar um lugar na areia para nosso grupo, que era grande, até que encontramos uma brecha, em frente a um telão. O interessante era ver todo mundo contente, mesmo naquele frio, dormindo na areia, apertado e longe do palco: estávamos na JMJ, por mais que a tentação naquela hora era dizer "trabalhei tanto por isso?!"! Eu mesma tive que ficar numa passagem, toda hora passavam pisando o meu cobertor! Teve até um irmão do nosso grupo não levou cobertor e ficou doente.


     Depois de acomodados, todo mundo foi dormir, e eu e Wayner fomos dar uma volta pela orla, olhar o movimento. Tava cheio de rodas de dança, conversamos com umas meninas do Caminho Neocatecumenal do Peru se não me engano, que nos falaram um pouco das suas experiências. Jovens dançavam, tocavam e cantavam incansavelmente durante a noite, não sei até que horas foram. Mas uma coisa percebemos, o Caminho provocou uma bagunça e tanto na Igreja! Uma bagunça boa, tenho que dizer. Para todo lado ouvíamos os cantos e os instrumentos do Caminho, e o legal era que os não-neocatecúmenos também entravam nas rodas de danças e logo aprendiam os cantos.

     A experiência de acordar no outro dia com os olhos diretamente para o céu claro foi única. Depois recebemos a notícia inesperada de que o papa iria passar ali ao nosso lado para ir celebrar a missa e ficamos muito contentes. Apesar de não termos ficado próximos do altar, ao menos o vimos passando, com sua simplicidade e carisma! Seguiu assim o início da Missa de envio, único evento do qual efetivamente participamos da programação oficial. Foi emocionante, ainda mais com o Santo Padre falando em nossa língua. Para nos surpreender ainda veio ministro com Eucaristia para nós, mesmo estando bem distante (posto 10, para quem estava lá).

A espera da passagem do Papa

     Realizados com o encontro com o Papa, no outro dia participamos do Encontro Vocacional também acontecido no Rio, evento do caminho neocatecumenal em resposta ao envio do Papa. Este foi igualmente emocionante, pois também vimos também a união e a força da Igreja, e nos encontramos com o iniciador do nosso itinerário, Kiko Arguello. Nestes links vemos os rapazes e as moças do caminho que responderam ao chamado vocacional à vida sacerdotal e religiosa. No final, trocamos algumas lembranças com os irmãos dos outros países e outros estados; na foto estão as coisas que consegui, e que guardo com muito carinho! O que mais significativo para mim foi um terço de caroço de azeitona, que troquei com uns irmãos de Israel (foto), pois lá é a terra santa e os cristãos são poucos.

"Câmbios"



     Encerro com algo que Papa Francisco nos deixa na homilia da missa de envio:
     "Três palavras: Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, experimentarão que, quem evangeliza, é evangelizado, quem recebe a alegria da fé, recebe mais alegria."

     Um abraço a todos os nossos amigos e companheiros de viagem e a todos os nossos leitores, dos quais também queremos ouvir suas experiências nos comentários!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A caminho para o Rio - JMJ 2013 (Parte 2)

     Em nossa rota rumo ao Rio de Janeiro, após visitarmos Ouro Preto, partimos então para Belo Horizonte-MGNesta cidade, diríamos que ocorreu uma das experiências mais marcantes! A começar porque nossa programação lá era no estádio Mineirinho, e caiu num dia de final da libertadores do “Galo” no Mineirão que é ao lado, aí já se imagina que não foi fácil chegarmos no Mineirinho, pois o seu redor estava inflamado de torcedores, gritos, bebidas e bombas ao redor.

Eucaristia no estádio Mineirinho - Belo Horizonte MG

     Tivemos que descer do ônibus e ir todos caminhando, as 107 pessoas, pelo meio destes torcedores, tendo que ouvir entre chacotas, por sermos “do papa”, e também orações de benção. Eu brincava dizendo que estávamos na faixa de gaza! O padre depois brincou dizendo que estávamos atravessando o mar Vermelho, que o Senhor de fato abriu para nós. 

     Na hora, para alguns dos nossos, pareceu um pesadelo, pois teve gente que quase se machucou com as bombas, sem falar no medo dos nossos responsáveis de perder alguém pelo caminho; mas depois o padre até riu conosco e disse que precisávamos daquele momento. Pudemos sentir um pouco do que é a alegria do mundo e o que é a alegria em Cristo: enquanto uma é passageira a outra é eterna. Quando chegamos no Mineirinho, havia lá alguns torcedores do outro time se escondendo para não serem mortos: seu ônibus havia sido quebrado pelos torcedores do adversário. 

     Resultado: chegamos atrasados à nossa Eucaristia no Mineirinho, não ouvimos nada devido às bombas o tempo todo e dormimos (ou tentamos dormir) lá no chão do estádio após a missa para descansar da viagem de ônibus, com peregrinos do mundo todo. Apesar de tudo valeu a pena! No outro dia de manhã saímos cantando para Pampulha, onde visitamos a Igreja de São Francisco e ali celebramos as Laudes (fotos).
A caminho da igreja - Pampulha


Laudes na Igreja Santo Antônio - Pampulha


     Seguimos para a Serra da Piedade-MG (site). Não sei dizer qual foi o lugar mais bonito por onde passamos, mas esse era perfeito. Consiste em uma altíssima serra formada há milênios, devido ao choque de placas tectônicas que fez subir as pedras do fundo do mar e ainda hoje mantém um formato muito inusitado, como dá pra ver nas fotos. No século 19 foi erguida uma belíssima igreja de arquitetura barroca no ponto mais alto desta serra, e a dedicaram a Nossa Senhora da Piedade. 

Vista aérea do Santuário de Nossa Senhora da Piedade




Interior da Igreja
Eu  :D

     Mais recente foi erguida outra igreja maior lá no alto, que pudesse comportar todos os romeiros para Celebrações, paralela à antiga, de arquitetura mais moderna mas com pinturas belíssimas do Evangelho. Nesta igreja nova, celebramos a Eucaristia. Lá é muito frio e muito alto, fiquei até com medo na hora da descida da serra, pois estava nublado e escuro e a estrada que arrodeia a serra é estreita. Mas Deus esteve presente em todos os momentos. Assim seguimos para o Rio. Abaixo algumas fotos que editei no Instagram:

Escultura da Pietá, na igreja nova

Pintura (descubra de qual passagem!) na igreja nova 

Pia batismal, na igreja nova

     A experiência a partir da chegada no Rio ficará para outra postagem, mas até aí já foi uma aventura e tanto, na qual eu e meu noivo pudemos vivenciar momentos belíssimos e edificantes junto à comunidade e como futuros casados, pois pudemos conviver bastante. A paz de Cristo a todos os leitores, amigos e irmãos de peregrinação.

sábado, 17 de agosto de 2013

A caminho para o Rio - JMJ 2013 (Parte 1)

     Contarei aqui um pouco sobre nossa peregrinação pelas cidades a caminho para o Rio de Janeiro, através da minha experiência pessoal! Wayner também postará sobre a experiência dele em breve.

     Acho que fomos um dos poucos grupos que fizeram esta peregrinação pelos santuários. Antes eu via como algo desnecessário, pois já íamos demorar para chegar no Rio, mas a medida que me maravilhava com cada lugar, via o quanto estava sendo importante para mim e meus irmãos, e também para os moradores das cidades. A Jornada afinal foi também para nós experimentarmos um pouco dos frutos de uma peregrinação, o que é dormir fora de casa, no chão, passar por dificuldades, provar da providência de Deus, tudo em comunidade. E, além disso, pudemos encher nossos olhos com tantas obras da criação de Deus pelo caminho, bem como com os belíssimos templos em que entramos, que já pregam o evangelho só com sua beleza.

     O primeiro lugar foi o Santuário Bom Jesus da Lapa-BA:

  
     Foi uma experiência maravilhosa. Chegamos lá de manhã, celebramos as Laudes (louvor da manhã) na praça, cantamos e em seguida entramos para conhecer as grutas debaixo das montanhas, onde tem várias capelas. É impressionante, tem os bancos para a assembleia, o altar e tem, no teto, como esculturas, estalactites pendurados, que parecem que vão cair. E quando pensamos que há só aquele ambiente, nos deparamos com becos que desabam em outras imensas grutas dentro da montanha, fiquei realmente encantada.

   
     Em seguida, passamos pelo desafio de subir a montanha até o topo. Muitos fazem isso para pagar promessas: lá no alto há as três cruzes do calvário, como um santuário, e uma visão fantástica da cidade e do difícil caminho por onde percorremos para subir. Não há como não relacionar com caminho sofrido ao caminho do Calvário. Demos uma volta pela cidade e a tarde celebramos nela a Eucaristia. Aqui encontram-se fotos que a equipe do santuário tirou da nossa visita.


     O próximo lugar foi Ouro Preto-MG.
     Não pudemos ficar tanto tempo nesta cidade, mas foi suficiente ter uma vista incrível dela. As Igrejas são muito próximas umas das outras e as ladeiras, muito íngremes. De praticamente qualquer ponto se tinha aquela bela visão das Igrejas e da neblina. Chegamos a entrar em uma delas, onde tinha esculturas de Aleijadinho. O mais legal era encontrar em todo canto jovens peregrinos do Brasil todo e de outros países, ainda mais do mesmo movimento que o nosso! Num episódio, na hora do almoço, havia uns jovens na mesa ao lado que não sabíamos se eram peregrinos. Quando entoamos o canto de oração antes da refeição, os jovens começaram a cantar conosco na língua deles! Fantástico.



     Na próxima postagem contarei um pouco da experiência em BH e Serra da Piedade.
     A paz de Cristo!

domingo, 4 de agosto de 2013

Um pouco do que ficou da Jornada...

     A tão esperada JMJ Rio 2013 chegou, e deixou um incontável número de experiências e recordações, e que ainda renderão ao blog muitas postagens. Eu e meu grupo de 107 pessoas (das comunidades neocatecumenais de São Luís e Itapecuru Mirim) fizemos realmente uma peregrinação pelo Brasil, a caminho para a Jornada, passando por alguns santuários entre São Luís e o Rio de Janeiro. 

     Cada lugar onde paramos foi uma experiência única e a presença de Deus se confirmou em cada um onde celebramos a Palavra ou a Eucaristia. Saímos de ônibus no domingo anterior ao da Missa de envio, e paramos em Bom Jesus da Lapa-BA, onde ao final do dia celebramos a Eucaristia; Ouro Preto-MG; Belo Horizonte-MG, onde celebramos as Laudes na Pampulha, e seguimos para o Rio. Na volta passamos por Brasília, onde visitamos o Seminário Redemptoris Mater.

Nosso grupo em Serra da Piedade - MG

      Foram ao total dez dias de viagem. Em meio ao desconforto e aos eventuais desentendimentos, muitas foram as oportunidades de reclamação, mas o que reinou mesmo foi a presença do Senhor até mesmo nestas ocasiões, bem como nas cantorias pelo caminho e nas orações que não cessamos de fazer, as quais nos permitiram bendizer a Deus por tudo o que nos acontecia e enxergar o Seu dedo em todas as obras da natureza que nossos olhos viram.

Na ordem: Ouro Preto-MG, Serra da Piedade-MG, Bom Jesus da Lapa-BA, Igreja de São Francisco-Pampulha-Belo Horizonte-MG 

     A chegada ao Rio foi igualmente muito emocionante. Ao ver aquela multidão de jovens de todas as nações só me recordava a passagem em que se diz "eu venho reunir todas as nações, e virão e verão a minha glória!". É bom ver o quanto a nossa Igreja ainda é atrativa e capaz de reunir tantas pessoas em um mesmo espírito! Apesar de só termos participado efetivamente da Jornada através da vigília e da Missa de envio com o Papa, fechou com chave de ouro nossa semana missionária. Ficamos longe do palco onde tiveram os eventos, vimos apenas pelo telão, mas pude ver nosso Santo Padre passando próximo onde estávamos; valeu a pena! 

Kit peregrino, no Rio
      Muitas coisas ainda temos para contar ao longo do tempo. Mas fecho aqui com um pouco do que o escutamos no caminho de volta para São Luís, no seminário Redemtoris Mater de Brasília, do reitor Juan: não pensem que a peregrinação terminou esta semana, mas ela só terminará quando chegarmos ao céu.

     A paz de Cristo!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Família inteira na JMJ

     Minha família foi convidada para uma entrevista para o Jornal do Maranhão, o jornal da arquidiocese daqui. Aí está a matéria, que saiu este mês!


"Famílias inteiras desejam encontro com o papa"
    Embora seja alvo da Jornada Mundial da Juventude, engana-se quem pensa no jovem como único objetivo. O evento acolhe a todos. Por isso são muitos os casos de famílias que, inteiras, arrumaram as malas para o encontro com o papa.
     Em São Luís, um dos exemplos é a família Serra (foto). Depois da frustração de não poder enviar as filhas (Adriana e Amanda) para a JMJ na Espanha, João e Clenilde decidiram que a hora é agora.
     Mas não se iluda pensando que é fácil uma família inteira participar de um evento desses. Isso exige sacrifícios, renúncias. Adriana está de aviso prévio. Amanda, além de perder todas as provas na faculdade, terá de negociar com o futuro chefe o adiamento do início de um estágio.
     "Mas a jornada é, sobretudo, um encontro com Jesus Cristo para reavivar a nossa fé. Isso é melhor ainda em família", afirmam os Serra.

   Antes que alguém me pergunte, com relação às provas irei certamente perder duas provas, e ainda tenho esperança de que sejam adiadas, mas de qualquer forma poderei repor! E com relação ao estágio, ainda estava indecisa a respeito deste estágio no dia da entrevista, e optei por não fazê-lo por outros motivos. Todavia foram de fato muitos sacrifícios e renúncias antes desta jornada, digo por mim e por minha comunidade, com a qual iremos. Foram rifas, barracas de festa junina, vendas, tudo para ajudar uns aos outros a ir, pois afinal o espírito da Jornada é este, o de sermos um com o corpo de Cristo, a Igreja, e cujo pastor encontraremos no Rio.

    Não iremos no mesmo grupo que nossos pais mas, como havia dito ao repórter, já foi importante eles nos terem dado a base para que nós desejássemos estar na Igreja e participar de um evento como este. E de qualquer forma estaremos juntos lá, no mesmo espírito.

     Paz e bem, e uma boa Jornada a nós e a todos os que forem!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Realidade do Catolicismo na Tanzânia

Este texto foi publicado já a algum tempo e devia estar com a data original. Infelizmente precisou ser reeditado e veio aqui pro topo. Considerem a data original.

     Um seminarista da minha comunidade, Roniston, foi enviado ao Seminário Redemptoris Mater da Tanzânia, em Dar es Salaam, há uns três anos. Todos os anos ele vem ao Brasil para partilhar conosco a experiência da missão e tem nos contado uma realidade que jamais conheceríamos, mas que o Senhor proporcionou que conhecêssemos!

     Para começar, falarei um pouco do que ele nos contou sobre a cultura da Tanzânia, e outras coisas que, pelo que procurei, são raras na internet. A Tanzânia, a "terra das girafas", é um país de muitas religiões e possui muitos dialetos. O catolicismo sofre fortes perseguições dos muçulmanos, que já destruíram várias igrejas católicas. O catolicismo lá é um tanto carregado de sincretismo, haja vista  o fato de a cultura deles ser muito forte.

     Os jovens são circuncidados. As crianças desde cedo são educadas a não se aproximarem dos que não são negros, e os albinos são mutilados em rituais de bruxaria, pois acredita-se que as partes dos corpos dos albinos são valiosas. Eles se reproduzem muito e ao mesmo tempo muitos morrem de malária. É um povo que tem pouca higiene, até porque a água é contaminada; para conseguir entrar nos chamados "dala-dalas", uns microônibus lotados, têm que bater um no outro, até matar se for preciso (como o Roniston já viu acontecer), porque senão não voltam para casa. 

     Enfim, neste contexto se encontra o seminário. Possui seminaristas de dez nacionalidades diferentes que passam pelas chagas da malária e pelo preconceito dos nativos, devido à cor de suas peles. Deu para perceber o quanto é difícil a missão lá. Como dizer que Deus desceu e foi crucificado, sendo que desde cedo aprendem que existe o deus fulano, ciclano e beltrano, e que os ladrões até hoje morrem "crucificados" numa haste e depois mutilados?! A missão do neocatecumenato na Tanzânia tem sido também de humanização, pois as pessoas ainda não tem o conceito do ser pessoa, que tem de ter valores morais e espirituais. Até ensinam, por exemplo, que uma colher não é simplesmente coisa de branco, mas algo que foi inventado para que não sujássemos as mãos. Os nomes para os pecados, os padres tiveram que inventar na língua principal deles, para que soubessem.

                 Seminaristas do Redemptoris Mater - Tanzânia                               Comunidade Neocatecumenal na Tanzânia


    Os seminaristas também passam pelo desafio da pobreza: boa parte da comida vem de um supermercado que doa as mercadorias vencidas, das quais mais da metade não dá para aproveitar. Além disso, estão em um lugar provisório, esperando os donativos suficientes para a construção do novo local.

    Se achamos que somos perseguidos aqui só porque alguns nos acusam de  "adoradores dos santos", "ratos de igreja" ou "ultrapassados", não sabemos nada! Cada dia que aqueles rapazes estão lá é realmente como o último de suas vidas. Os muçulmanos, cujo lema é "matar em nome de Alá ou morrer em nome de Alá" a qualquer momento podem decidir por uma chacina. Mês passado mesmo, houve o caso de um padre italiano que estava em sua paróquia na Tanzânia, e veio um muçulmano e pôs um facão em seu pescoço, perguntando se ele negava a fé cristã. Ele não negou e sua cabeça foi decepada com o facão cego; um seminarista que estava lá se pronunciou dizendo que também não negava a fé, e sua cabeça também foi decepada. Este episódio foi filmado por alguém que estava no local. Isso mostra que ainda hoje o sangue precioso dos mártires é derramado, por amor a Cristo.

     A Igreja pede não que rezemos pelas almas destes mártires, pois já estão no céu (cf. Ap 7, 9.14), mas que rezemos pelas pessoas que ficaram sem pastor, pois este país urge de missionários. Aqui, ao menos todos ouvem falar de Cristo, ainda que não acreditem. Lá, muitos sequer ouviram falar, mas também foi por eles que o Senhor morreu e ressuscitou e disse "Ide a todas as nações e proclamai o Evangelho a toda criatura!" Mc 16,15. Cabe a nós, portanto, rezar pelas missões na África, onde a cada dia os enviados de Deus são mortos brutalmente e necessitam de ajuda. E quem quiser pode ajudar o RM da Tanzânia, conforme é dito abaixo:

-> Com suas orações;
-> Garantindo o estudos de um ou mais seminaristas;
-> Com donativos e presentes para as necessidades do seminário e para a construção da nova casa de formação, que pode ser feito em qualquer banco a partir das seguintes informações:
       SEMINARY USD CURRENT - VATICAN BANK ACCOUNT

*Beneficiário: ISTITUTO PER LE OPERE DI RELIGIONE CITTA DEL VATICAN
*Conta n.: 001-1-975000
*c/o: JPM Chase Manhattan Bank – New York
*ABA: 021000021
*Code SWIFT: CHASUS33
*Referência: REDEMPTORIS MATER DAR ES SALAAM – 42828002

-> Email do seminário: smrtanzania@gmail.com.

   Outra forma de ajudar a missão na Tanzânia : Missão Sede Santos

     A paz de Cristo!


 

domingo, 7 de julho de 2013

Deliberações sobre o futuro e outras coisas mais

     Oi! Este texto é continuação direta do que publiquei na sexta. Prometo que depois dessas postagens não vou escrever 'oi' no inicio de toda postagem.

    Como havia contado na postagem anterior, as coisas não estiveram tranquilas pra mim nos últimos meses de faculdade, mas enfim me formei e mudei de cidade (aliás vou escrever ainda nessa semana sobre minha mudança pra São Luís). Casa nova, cidade nova, novas pessoas, porém problemas antigos. Entrei em uma leve depressão algumas semanas após minha chegada, quando perdi o emprego que tinha aqui. Digo depressão de forma descompromissada, apesar de ser capaz de identificar sinais de estado depressivo devido a meus estudo de psicanálise durante a graduação, é fato conhecido que um filósofo não pode diagnosticar com certeza um problema de ordem psicológica e muito menos quando se trata de si mesmo. Sendo breve, encontrei maior dificuldade em escrever quando em São Luís do que em Brasília. Mas isso é assunto passado.

    O que desejo neste texto é esclarecer um último ponto de dificuldade para mim e Amanda: escrevemos para um público que não se manifesta. Sim, sabemos que nosso blog é pequenininho, poucas pessoas o leem, mas mesmo assim sentimos falta de um retorno por parte daqueles que passam aqui pra dar uma lida no que publicamos. Não se sintam obrigados a nada, longe disso! Mas se o assunto de uma postagem chamar atenção e vocês desejarem partilhar algo, uma experiência, uma opinião etc., fiquem a vontade para dizer. Se for o caso de um assunto ter sido tratado em algum texto e nunca mais ter sido discutido, mandem e-mail nesse link 'Fale Conosco' na parte superior da página, nem que seja pra falar mal, pelo menos vamos saber que existem pessoas lendo nossos textos.

     Uma coisa que percebemos é que de todas as nossas postagens a mais popular é a que possui o 'convite de chá de panela'. É incrível, tem semana que o blog não possui 10 visitas na página principal, mas a tal postagem do chá de panela tem 200 visualizações! É por isso que decidimos começar uma 'coluna' só sobre os preparativos de nosso matrimônio, que aliás está a uns seis meses de acontecer. De agora em diante é cada vez mais presente este assunto e muita gente tem curiosidade sobre o assunto, e principalmente as moças que vão se casar em breve, fica pra vocês o convite de enviar sugestões de postagens pra Amanda, talvez falar sobre a decoração ou a escolha do vestido, assuntos que ela adora.

     Por falar na Amanda, ela tem postado com frequência no canal do Youtube, se ainda não viram nossos videos visitem o perfil dela, tem muita coisa bacana sobre músicas litúrgicas e tem um documentário curto sobre milagres eucarísticos. Para acessar os videos clique aqui.

     Por fim, só quero agradecer àquelas pessoas que entraram em contato comigo questionando sobre o futuro do blog e me incentivaram a voltar a escrever, mesmo sentindo que esta é uma atividade solitária. Volto à ativa em minhas atividades. Ainda esta semana tem postagem nova, e desta vez será com conteúdo comum do blog. Quem quiser pode também acompanhar nossa página no Facebook para receber as atualizações através do perfil. Até mais, Paz e Bem!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sobre meu sumiço

    Oi!

     Esta será uma postagem longa e pessoal, de forma que poupo muitos avisando antecipadamente que vou tratar de mim e não de algum outro assunto. Se você continua lendo, então vamos direto ao que nos interessa!

     Já se passam cerca de seis meses sem que eu tenha escrito uma única linha neste blog e antes mesmo desse tempo já não produzia muita coisa aproveitável para cá. Eu sinceramente acho essa atitude uma falta de respeito com as pessoas que lêem o Passos de uma Caminhada. Bom existe, é claro, ao menos um motivo muito forte que me levou a ficar longe do blog e de tantas outras coisas que são importantes para mim.

     Não sei se já escrevi alguma vez sobre isso aqui, talvez quem me acompanha pelo Facebook ou Twitter tenha visto alguma referência ao término de minha graduação e sobre o gigantesco obstáculo que enfrentei para enfim conseguir defender minha monografia e como ela ficou reprovável aos olhos de qualquer acadêmico que se preze. Se não falei antes, resumo um pouco da história para vocês (por muito tempo fiquei pensando se devia escrever para 'você leitor' ou 'vocês leitores', fica o que vier na mente no momento!).

     Levei cinco anos e meio para concluir o curso superior porque me meti a fazer dupla habilitação, o que na teoria é uma coisa linda! Imagina só o orgulho da minha mãe ao dizer que o filho dela fez duas graduações em cinco anos... É uma pena que na prática isso não mude tanta coisa, no Brasil você só se torna 'filósofo' em duas ocasiões, ou dá a vida pra estudar até o pós-doutorado e se tornar professor de universidade federal, ou aparece nas grandes mídias dando pitaco em assuntos dos quais não entende bulhufas (um exemplo do segundo caso são os títulos de filósofo que o Faustão dá para seus entrevistados).

    Mas como ia contando, iniciei minha pesquisa para a monografia quando estava no quinto semestre tomando um tema que me foi sugerido por uma professora de filosofia antiga. Tema muito bom, fiz um semestre de projeto sob orientação dela mas no semestre seguinte, quando terminaria o projeto na forma de uma dissertação simplesmente não conseguimos nos comunicar, não tive a orientação necessária e no fim do semestre não pude defender meu trabalho. Semestre seguinte, procuro outro orientador.

     Tudo ia muito bem então surgiu a greve já tão familiar e tradicional nas universidades federais. Meu professor me disse que viajaria para o exterior mas me tranquilizou, ele disse algo como 'não se preocupe, o trabalho está bem encaminhado. Continue a escrever, e se na época da defesa eu não estiver aqui, entro em contato com o departamento e autorizo você a defender mesmo sem minha presença.' Segui confiante! Finalmente estava próximo de encerrar o bacharelado e só faltariam poucas disciplinas para finalizar também a licenciatura. Chegou a época da defesa, cadê o professor? ah disse que ia viajar, mandei email e não me respondeu... só pode estar fora do país! Terminei o texto que ele havia aprovado e entreguei, informei a coordenação do meu curso sobre a viagem dele e as coisas ficaram tranquilas, não fosse o fato do professor não ter viajado e ao ver o nome dele relacionado na lista de defesas, procurar imediatamente a coordenação e informar que não iria me permitir defender pois eu não havia entrado em contato por um período e ele deu o caso por encerrado.

     Faltavam poucos dias para a defesa e só me restava esta disciplina para concluir o bacharelado, tinha passagem já comprada para São Luís (falo sobre isso mais adiante) e caso reprovasse novamente na monografia entrava em condição de desligamento e teria que cursar somente as disciplinas que a reitoria permitisse... era imperativo terminar o bacharelado naquele semestre! Graças a Deus a coordenadora do curso entendeu minha situação e conseguiu adiar em duas semanas minha defesa além de conseguir um orientador de última hora. Era aquela luz no fim túnel que você não espera mais ver após tanta escuridão. Fui então falar com meu novo orientador e ele não passou sequer a impressão de que as coisas iam mal.

    Criei evento no Facebook para convidar os não poucos amigos que manifestaram o desejo de estar lá para assistir minha apresentação. No dia da defesa fui com minha mãe e duas amigas que moravam próximas de minha casa, cheguei uma hora mais cedo, encontrei com meu orientador que estava super tranquilo, me pediu desculpas por não ter entrado em contato sugerindo alguma mudança no texto e disse 'ah não tem nada pra mudar mesmo!'. Começa a defesa. De cara já fugi a normalidade com o público da defesa, geralmente são os pais, avôs ou algum tio ali presente, e raramente a namorada ou esposa. Contando com minha mãe e amigos haviam dezesseis pessoas lá, nem tinha cadeira para todos. A média de tempo que se leva em uma defesa é cinquenta minutos, eu levei quase três horas! E isso porque na minha banca haviam três professores e não dois como de costume.

     Por fim, também não é comum que o orientador faça perguntas ao estudante, mas que o ajude a responder as questões feitas pelo outro professor, mas no meu caso o embate se deu não contra os dois professores convidados para a banca, mas sim contra meu próprio orientador. Como a história já está longuíssima vamos ao fim. Fui aprovado mas com a recomendação de que retirasse a última parte do meu texto.

       Se a jornada descrita acima não fosse suficiente, o mês anterior à defesa se resumiu a acordar cedo para estudar e ir dormir após as duas horas da manhã. Pausa somente para comer.

     Tudo isso já parece motivo suficiente para qualquer pessoa surtar, mas tudo isto era só metade do problema. Em junho do ano passado me pareceu boa ideia propor matrimônio à Amanda e fui com confiança em busca deste objetivo. Aproveitei uma peregrinação que os jovens do Caminho fariam para Brasília em julho, como preparação da Jornada Mundial da Juventude, e fiz o pedido. Foi atrapalhado, fiquei nervoso, a aliança dela ficou no tamanho errado, mas no fim foi lindo! E aconteceu na capela do Santíssimo Sacramento na Catedral de Brasília.

     Isto por si não é um problema, as consequências sim me deram dor de cabeça. Para não me alongar no assunto, após o noivado decidimos que deveríamos vencer de vez a distância e morar na mesma cidade. Como eu estava às vésperas de concluir meu curso e Amanda ainda se aproximava do meio do curso dela, eu optei pela mudança e comecei a preparar-me para morar em São Luís. O que não contam pra você quando você decide se mudar é o fato de você se apegar às pessoas do lugar onde mora e sair de lá dói. Coincidiu de a minha fase de despedida e desenraizamento de Brasília ser no mesmo período em que concluía a monografia, então imaginem como o caos se instaurou na minha vida!

     Basicamente não me sobrava tempo para o blog e quando sobrava não tinha disposição para escrever. Quando me mudei para São Luís me vi sem internet e em outras dificuldades que falarei noutro texto. Então estes foram meus motivos de não ter dado as caras por aqui nesses últimos tempos. Amanhã sai uma postagem minha sobre a situação atual do blog e os nossos planos, meus e da Amanda, para o futuro. Comentar é válido e ajuda o autor a saber o que vocês estão pensando sobre os textos daqui. Até amanhã!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Podemos ter certeza de que alguém vai pro inferno?

     Essa é uma questão bem frequente principalmente quando ocorre a morte de alguma personalidade famosa. A resposta, no entanto, daqueles que desejam a salvação de todos assim como Cristo, é que não podemos dizer que alguém vai para o inferno, pois a misericórdia de Deus para com cada pessoa é por vezes inesperada. Encontram-se abaixo alguns textos interessantes sobre o tema.


     "Para um católico, a salvação e a perdição são um grande mistério. Todos os que, ao longo dos séculos, tentaram resolvê-lo de forma definitiva acabaram caindo em alguma heresia. Ademais, nada menos caridoso do que desejar que alguém vá arder no inferno, mesmo sendo o pior dos homens. O contrário, sim, é católico: desejar a salvação mesmo dos maus, para que se manifeste gloriosamente a misericórdia divina.
     Aos que, portanto, estão imbuídos de tão malignos votos, lembramos: teologicamente, ninguém merece o céu. O mérito do sangue de Cristo na cruz resgatou-nos, e não os nossos méritos. O Bom Ladrão recebeu a graça de morrer em amizade com Deus, não obstante a sua vida de crimes confessados na hora final. Desejar que alguém vá para o inferno é desejar o mesmo que o demônio, inimigo da nossa salvação; matéria de confissão, muito mais do que os pecados da carne."

     O Prof. Carlos Nougué, e escreve o que segue:
    "Lemos aqui e ali votos de que Hugo Chávez vá arder no fogo do inferno. Isso não é católico. Não podemos perscrutar o segredo da eleição divina, e, como diz Santo Agostinho, Deus salva no último instante verdadeiros poços de lama. Por quê? Não o sabemos; sabemos apenas, como diz ainda o mesmo Santo, que sua Justiça é perfeitíssima, bem como sua Dileção. Ademais, vimos Hugo Chávez falar e falar de Cristo nos últimos meses de vida. Como não sabemos o que ocorreu entre o Espírito e sua alma no leito de morte, se teve ou não a graça eficaz para arrepender-se contritamente de seus pecados, só nos resta guardar silêncio e alegrar-nos muito interiormente com a sempre possível e sobrenatural salvação de qualquer pecador. "

 
       E, por fim, uma parte dos Diálogos de Deus Pai com Santa Catarina de Sena, em que Ele fala sobre a possibilidade última de salvação de alguém no leito de morte:
     "Os pecadores não podem desculpar-se. Continuamente são por mim convidados ao conhecimento da Verdade. Não se corrigindo enquanto podem fazê-lo, uma segunda repreensão os condenará. Ela acontece no último instante da vida, quando meu Filho chamar: “Surgite mortui, venite ad judicium” (Levantai-vos, ó mortos, vinde para o julgamento)! Tu que morreste para a graça e morto chegas ao fim da vida terrena, levanta-te, aproxima-te do supremo Juiz. Aproxima-te com tua maldade, com teus julgamentos falsos, com a lâmpada da fé apagada. No santo batismo, ela foi-te entregue acesa; tu a apagaste com o sopro do orgulho e da vaidade do coração, usados como velas enfunadas às ventanias contrárias à salvação. O amor da fama soprava teu amor-próprio e tu corrias alegre pelo rio dos prazeres mundanos; seguias a frágil carne, as incitações do demônio, as tentações. Tua vontade era um pano retesado e o diabo te conduziu pela estrada do mal, junto com ele, para a eterna condenação...
     Filha muito querida, esta segunda repreensão se dá no fim da vida, quando não há mais remédio. Ao chegar o instante da morte, o homem sente remorso. Já afirmei que ele é um verme cego por causa do egoísmo. No instante final, quando a pessoa compreende que não pode fugir das minhas mãos, esse verme recupera a visão e atormenta interiormente a pessoa, fazendo ver que por própria culpa chegou a tão triste situação. Se o pecador se deixar iluminar e se arrepender – não por medo dos castigos infernais, mas por ter ofendido a suma e eterna bondade – ainda será perdoado. Mas se ultrapassar o momento da morte nas trevas, no remorso, sem esperança no sangue [de Cristo] ou, então, lamentando-se apenas pela infelicidade em que se acha – e não por ter me ofendido – irá para a perdição. Sobrevirá, pois, a repreensão pela injustiça e falso julgamento.
     Em primeiro lugar, a repreensão da injustiça e do julgamento falso em geral, praticados no conjunto de suas ações; depois, em particular, do último instante, quando o pecador considera seu pecado maior que minha misericórdia. Este (Mt 12,32) é o pecado que não será perdoado, nem aqui nem no além. O desprezo voluntário da minha misericórdia constitui pecado mais grave que todos os anteriores. Neste sentido, o desespero de Judas desagradou-me e foi mais grave que a sua traição. Também para meu Filho! É por causa deste (último) julgamento falso que o pecador sofre a repreensão, ou seja, porque acha que sua falta é maior que meu perdão. Este é o motivo da punição, indo sofrer eternamente com os demônios."

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