sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sobre meu sumiço

    Oi!

     Esta será uma postagem longa e pessoal, de forma que poupo muitos avisando antecipadamente que vou tratar de mim e não de algum outro assunto. Se você continua lendo, então vamos direto ao que nos interessa!

     Já se passam cerca de seis meses sem que eu tenha escrito uma única linha neste blog e antes mesmo desse tempo já não produzia muita coisa aproveitável para cá. Eu sinceramente acho essa atitude uma falta de respeito com as pessoas que lêem o Passos de uma Caminhada. Bom existe, é claro, ao menos um motivo muito forte que me levou a ficar longe do blog e de tantas outras coisas que são importantes para mim.

     Não sei se já escrevi alguma vez sobre isso aqui, talvez quem me acompanha pelo Facebook ou Twitter tenha visto alguma referência ao término de minha graduação e sobre o gigantesco obstáculo que enfrentei para enfim conseguir defender minha monografia e como ela ficou reprovável aos olhos de qualquer acadêmico que se preze. Se não falei antes, resumo um pouco da história para vocês (por muito tempo fiquei pensando se devia escrever para 'você leitor' ou 'vocês leitores', fica o que vier na mente no momento!).

     Levei cinco anos e meio para concluir o curso superior porque me meti a fazer dupla habilitação, o que na teoria é uma coisa linda! Imagina só o orgulho da minha mãe ao dizer que o filho dela fez duas graduações em cinco anos... É uma pena que na prática isso não mude tanta coisa, no Brasil você só se torna 'filósofo' em duas ocasiões, ou dá a vida pra estudar até o pós-doutorado e se tornar professor de universidade federal, ou aparece nas grandes mídias dando pitaco em assuntos dos quais não entende bulhufas (um exemplo do segundo caso são os títulos de filósofo que o Faustão dá para seus entrevistados).

    Mas como ia contando, iniciei minha pesquisa para a monografia quando estava no quinto semestre tomando um tema que me foi sugerido por uma professora de filosofia antiga. Tema muito bom, fiz um semestre de projeto sob orientação dela mas no semestre seguinte, quando terminaria o projeto na forma de uma dissertação simplesmente não conseguimos nos comunicar, não tive a orientação necessária e no fim do semestre não pude defender meu trabalho. Semestre seguinte, procuro outro orientador.

     Tudo ia muito bem então surgiu a greve já tão familiar e tradicional nas universidades federais. Meu professor me disse que viajaria para o exterior mas me tranquilizou, ele disse algo como 'não se preocupe, o trabalho está bem encaminhado. Continue a escrever, e se na época da defesa eu não estiver aqui, entro em contato com o departamento e autorizo você a defender mesmo sem minha presença.' Segui confiante! Finalmente estava próximo de encerrar o bacharelado e só faltariam poucas disciplinas para finalizar também a licenciatura. Chegou a época da defesa, cadê o professor? ah disse que ia viajar, mandei email e não me respondeu... só pode estar fora do país! Terminei o texto que ele havia aprovado e entreguei, informei a coordenação do meu curso sobre a viagem dele e as coisas ficaram tranquilas, não fosse o fato do professor não ter viajado e ao ver o nome dele relacionado na lista de defesas, procurar imediatamente a coordenação e informar que não iria me permitir defender pois eu não havia entrado em contato por um período e ele deu o caso por encerrado.

     Faltavam poucos dias para a defesa e só me restava esta disciplina para concluir o bacharelado, tinha passagem já comprada para São Luís (falo sobre isso mais adiante) e caso reprovasse novamente na monografia entrava em condição de desligamento e teria que cursar somente as disciplinas que a reitoria permitisse... era imperativo terminar o bacharelado naquele semestre! Graças a Deus a coordenadora do curso entendeu minha situação e conseguiu adiar em duas semanas minha defesa além de conseguir um orientador de última hora. Era aquela luz no fim túnel que você não espera mais ver após tanta escuridão. Fui então falar com meu novo orientador e ele não passou sequer a impressão de que as coisas iam mal.

    Criei evento no Facebook para convidar os não poucos amigos que manifestaram o desejo de estar lá para assistir minha apresentação. No dia da defesa fui com minha mãe e duas amigas que moravam próximas de minha casa, cheguei uma hora mais cedo, encontrei com meu orientador que estava super tranquilo, me pediu desculpas por não ter entrado em contato sugerindo alguma mudança no texto e disse 'ah não tem nada pra mudar mesmo!'. Começa a defesa. De cara já fugi a normalidade com o público da defesa, geralmente são os pais, avôs ou algum tio ali presente, e raramente a namorada ou esposa. Contando com minha mãe e amigos haviam dezesseis pessoas lá, nem tinha cadeira para todos. A média de tempo que se leva em uma defesa é cinquenta minutos, eu levei quase três horas! E isso porque na minha banca haviam três professores e não dois como de costume.

     Por fim, também não é comum que o orientador faça perguntas ao estudante, mas que o ajude a responder as questões feitas pelo outro professor, mas no meu caso o embate se deu não contra os dois professores convidados para a banca, mas sim contra meu próprio orientador. Como a história já está longuíssima vamos ao fim. Fui aprovado mas com a recomendação de que retirasse a última parte do meu texto.

       Se a jornada descrita acima não fosse suficiente, o mês anterior à defesa se resumiu a acordar cedo para estudar e ir dormir após as duas horas da manhã. Pausa somente para comer.

     Tudo isso já parece motivo suficiente para qualquer pessoa surtar, mas tudo isto era só metade do problema. Em junho do ano passado me pareceu boa ideia propor matrimônio à Amanda e fui com confiança em busca deste objetivo. Aproveitei uma peregrinação que os jovens do Caminho fariam para Brasília em julho, como preparação da Jornada Mundial da Juventude, e fiz o pedido. Foi atrapalhado, fiquei nervoso, a aliança dela ficou no tamanho errado, mas no fim foi lindo! E aconteceu na capela do Santíssimo Sacramento na Catedral de Brasília.

     Isto por si não é um problema, as consequências sim me deram dor de cabeça. Para não me alongar no assunto, após o noivado decidimos que deveríamos vencer de vez a distância e morar na mesma cidade. Como eu estava às vésperas de concluir meu curso e Amanda ainda se aproximava do meio do curso dela, eu optei pela mudança e comecei a preparar-me para morar em São Luís. O que não contam pra você quando você decide se mudar é o fato de você se apegar às pessoas do lugar onde mora e sair de lá dói. Coincidiu de a minha fase de despedida e desenraizamento de Brasília ser no mesmo período em que concluía a monografia, então imaginem como o caos se instaurou na minha vida!

     Basicamente não me sobrava tempo para o blog e quando sobrava não tinha disposição para escrever. Quando me mudei para São Luís me vi sem internet e em outras dificuldades que falarei noutro texto. Então estes foram meus motivos de não ter dado as caras por aqui nesses últimos tempos. Amanhã sai uma postagem minha sobre a situação atual do blog e os nossos planos, meus e da Amanda, para o futuro. Comentar é válido e ajuda o autor a saber o que vocês estão pensando sobre os textos daqui. Até amanhã!

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