domingo, 25 de janeiro de 2015

Minha experiência com o bullying


     O bullying é um assunto que está muito em alta nos últimos anos, principalmente pelas várias chacinas provocadas por pessoas que passaram pelo bullying e não conseguiram se superar dessa experiência. Como também já passei por isso, fico refletindo sobre os motivos de isso acontecer e como evitar. Então vou falar um pouco da minha experiência que, apesar de nunca ter tido nada agressivo, foi banstante marcante na minha vida.
   
     Sempre fui uma criança tímida, de poucos amigos, mas sempre fui feliz, muito amada pela família. Pelo que me lembro, desde a primeira série do fundamental até a sétima, sempre teve alguém que pegava no meu pé, porque eu simplesmente ficava calada ou chorava, nos diferentes colégios que estudei. Tinha um menino que ficava derrubando as minhas coisas, outra que ficava espalhando que eu gostava de um menino ou inventando qualquer bobagem, porque eu tinha as melhores notas, outra que ficou três anos me chamando de várias besteiras (amiga-da-onça, girafa, palito,...), mesmo eu a tendo levado pra direção algumas vezes com as amigas dela. As pessoas que são vistas como mais fracas, por serem diferentes ou tímidas, são meio que testadas pelos colegas, e se elas não sabem se defender, naturalmente o "bully" ganha mais status. 

     Aprendi que isso acontece porque todo mundo passa pela fase de autoafirmação, ou seja, de que precisa se autoafirmar como forte, como popular, como mulher, como pertencente a algum grupo, ou seja o que for, e isso passa pela aprovação dos outros. Acontece que alguns o fazem usando outros como degrau.

     Meu pai diz que isso sempre existiu e todo mundo superava normalmente. Não sei se sempre existiu, mas sabemos que hoje em dia nem todo mundo consegue superar. Por mais que existam tipos de bullying mais agressivos que o que aconteceu comigo, para mim era a pior coisa que existia, porque me fazia sofrer, não fisicamente, mas emocionalmente. Hoje em dia não tenho sentimento de vingança contra estas pessoas, apesar de ainda lembrar de algumas coisas que elas me fizeram. Continuo uma pessoa introvertida, afinal, personalidade não muda tanto, porém sei me defender melhor. No entanto, não importa quais são os motivos que me levaram a ser assim, mas importa que todos merecem respeito.

     Tenho visto muitas campanhas como "Bullying é crime" ou "Todos temos semelhanças", até bem interessantes, mas ainda é preciso a atenção principalmente dos pais ou responsáveis. Meu esposo é professor de ensino fundamental em escola pública e me conta como o bullying ainda é corriqueiro. Os motivos que levam alguém a se autoafirmar através da violência física ou emocional para com alguém partem principalmente de casa, segundo as pesquisas: se a criança ou adolescente é acostumado com agressão física ou verbal dentro de casa, vê isso como algo normal, ou então não tem a atenção devida dos pais e por isso evitam a todo custo a solidão no ambiente escolar. 

     Enfim, acho que o que é principal é que os responsáveis sempre reforcem e também demonstrem que devemos aceitar e amar os outros, principalmente quando são diferentes, e que existem pessoas que são melhores ou piores que nós em alguma coisa, mas que todos têm algo bom para oferecer.

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